Capítulo 11




TAO TE CHING
O Livro do Caminho e da Virtude
Lao Tse, o Mestre do Tao

Capítulo 11

Interpretação de Janine Milward

A tradução dos Capítulos do Tao Te Ching foi realizada por Wu Jyh Cherng,
do chinês para o português
e foi primeiramente publicada pela Editora Ursa Maior
e hoje é publicada pela Editora Mauad, São Paulo.
Na Editora Mauad, São Paulo, Brasil,
encontra-se  a realização da publicação
das interpretações de Wu Jyh Cherng
acerca os 81 Capítulos da obra máxima de Lao Tse, o Tao Te Ching



Capítulo 11

Trinta raios convergem ao vazio do centro da roda
Através dessa não-existência
Existe a utilidade do veículo

A argila é trabalhada na forma de vasos
Através da não-existência
Existe a utilidade do objeto

Portas e janelas são abertas na construção da casa
Através da não-existência
Existe a utilidade da casa

Assim, da existência vem o valor
E da não-existência, a utilidade




Interpretação de Janine Milward


Lao Tse, em seu capítulo 11, nos revela a grande sabedoria e profundidade do Tao Primordial.
Primeiramente, devemos voltar a lembrar sobre o Mundo da Não-Manifestação que faz brotar, faz nascer, o Mundo da Manifestação.

O Mundo da Não-Manifestação vai nos falar do Vazio, da não-existência. O Mundo da Manifestação vai nos falar da existência, do valor.

E é no Capítulo 11 que Lao Tse nos ensina a dicotomia quase transparente e extremamente sutil entre o valor e a utilidade e também, em sua forma simples e óbvia de dizer as coisas, ele nos dá três exemplos de temas bem vivenciados em nosso cotidiano de vida - veículo, vaso, casa - para nos mostrar aquilo que é o valor e aquilo que é a utilidade.

O valor sempre se apresenta através da plenitude de alguma coisa e sua essência e forma intrínsecas. A utilidade, aparentemente, nunca se apresenta obviamente, ela simplesmente é.... e se não for, não traz o verdadeiro valor.

Trinta raios convergem ao vazio do centro da roda
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A argila é trabalhada na forma de vasos
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Portas e janelas são abertas na construção da casa
.......................

Antigamente, no tempo de Lao Tse, a roda da carroça era feita de madeira, com os paus agindo como raios juntando o eixo central da roda à sua extremidade. Esse eixo central é o vazio do centro da roda.

Para ser fazer um vaso, um artigo de uso culinário da maior importância aonde se cozinham os alimentos, aonde se guarda água, etc., é preciso usar a argila e ir dando forma ao vaso. Essa forma prevê sempre um vazio ao centro para acolher o conteúdo e servir para aquilo que deve servir.

Uma casa é um lugar importante para a família viver a vida e é feita de paredes externas e internas. No entanto, na casa têm que existir portas e janelas para que a família possa entrar e sair, para que o mundo possa entrar e sair.

Lao Tse usou três exemplos extremamente simples para nos demonstrar a importância do mundo da manifestação e fundamentalmente, a realidade intrínseca do mundo da não-manifestação que também se manifesta subjetivamente dentro da objetividade das situações da vida.

Quando pensamos em um vaso, pensamos um recipiente que vá acolher alguma coisa.... se não, pensaríamos em um monte de argila amontada, sem sentido para nada. Quando pensamos numa casa, imediatamente nos ressentiríamos e não entenderíamos o porquê de uma casa sem portas e janelas.... ninguém poderia entrar ou sair... qual seria então a validade de uma casa?

Através da não-existência
Existe a utilidade da roda..., do vaso...., da casa.....
É o vazio da roda, do vaso e da casa que traz sua utilidade.


Assim, na existência vem o valor
E da não-existência, a utilidade

Com esses versos simples e falando de nosso cotidiano de vida prática, Lao Tse nos ensina sobre o valor da existência, advinda do Mundo da Manifestação e a utilidade da não-existência, advinda do Mundo da Não-Manifestação, do Vazio em sua plenitude.

Em relação a nós e nossa encarnação e nosso corpo físico, tudo isso vai revelar certamente nosso valor, é com tudo isso que estamos nesse Planeta Terra, lugar de trabalho e de Iluminação - Luz é Matéria.

No entanto, é somente através do Vazio que se instala em nossa mente e consciência iluminadas e infinitas - o valor adquirido através da existência, que alcançamos nossa verdadeira utilidade, a entrada da não-existencia, com consciência e vidas iluminadas e infinitas.

Nosso corpo físico é real e existente. No entanto, sua verdadeira utilidade é se tornar o Caldeirão disposto a passar pela transmutação, pela alquimia do Tao, ou seja, tornar-se um Corpo de Luz.

Esse Corpo de Luz somente poderá existir a partir da consciência iluminada e infinita - o Caminho da Iluminação - que trabalha o Vazio nesse corpo físico - o Caldeirão - e passa a trilhar o Caminho da Imortalidade - ou seja, também esse corpo se torna iluminado e infinito.
Assim, a existência do corpo físico traz o valor do mundo da manifestação, em nossa objetiva encarnação na Terra. E a não-existencia do Corpo de Luz traz a utilidade do mundo da não-manifestação, em nossa subjetiva encarnação na Terra.

Sendo a Terra um lugar de matéria e sendo Luz matéria, é aqui neste Planeta que temos o privilégio de encarnar e realizar nosso Trabalho conjunto com nossos Caminhos de Iluminação e de Imortalidade.

Se morremos apenas realizando o Trabalho de Encarnação, possivelmente ficamos atados à Roda da Vida, a Samsara, para retornarmos a planetas de matéria para realizarmos nosso Caminho da Iluminação.

Se morremos apenas realizando nosso Caminho da Iluminação, possivelmente ainda ficamos atados à Roda da Vida, a Samsara, para retornarmos a planetas de matéria para realizarmos nosso Caminho da Liberação ou Imortalidade.

Luz é matéria. E a Terra é um lugar privilegiado no universo que conhecemos porque possui muito ouro, a cor da iluminação, a cor do Sol, o valor. Porém este valor é agregado ao Trabalho que precisamos realizar em nossas vidas de encarnação. É um ouro com valor objetivo, certamente.

No entanto, o verdadeiro ouro e sua verdadeira utilidade são subjetivos, essa é a verdade. O verdadeiro ouro é revelado na iluminação e infinitização da mente e da consciência e, posteriormente, no Corpo de Luz, Corpo de Ouro, alcançado no Caminho da Imortalidade, com vida iluminada e infinita.

Quando morremos, levamos da Terra, a nível objetivo e de valor objetivo, apenas uma muda de roupa conosco. Todo o valor da encarnação objetiva pode ser revelado como um valor sem valor, apenas.

Quando morremos, levamos da consciência que é atada ao Espírito do Tao da Criação, tudo aquilo que nossa mente pôde captar e apreender... Se efetivamente alcançarmos nosso Caminho de Iluminação através da iluminação e infinitude de nossa mente e de nossa consciência, estaremos levando conosco a utilidade do ouro e não o seu valor. Seu valor nos serviu objetivamente para que alcançássemos sua verdadeira utilidade.

Quando morremos, levando consciência iluminada e infinitizada bem como nosso Corpo de Luz alquimizado a partir de nosso corpo físico que entrou na encarnação...

Aí sim, encontramos a verdadeira utilidade do Vazio instaurado dentro do valor. Encontramos a verdadeira utilidade dentro do valor. A verdadeira não-existencia dentro da existência.

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TAO TE CHING
O Livro do Caminho e da Virtude
Lao Tse, o Mestre do Tao

Capítulo 11

Interpretação de Janine Milward

A tradução dos Capítulos do Tao Te Ching foi realizada por Wu Jyh Cherng,
do chinês para o português
e foi primeiramente publicada pela Editora Ursa Maior
e hoje é publicada pela Editora Mauad, São Paulo.

Na Editora Mauad, São Paulo, Brasil,
encontra-se  a realização da publicação
das interpretações de Wu Jyh Cherng
acerca os 81 Capítulos da obra máxima de Lao Tse, o Tao Te Ching


A ponte bucólica e impressionista é uma foto realizada no Sítio das Estrelas, por Janine Milward