Capítulo 16

TAO TE CHING
O Livro do Caminho e da Virtude
Lao Tse, o Mestre do Tao


Interpretação de Janine Milward
A tradução dos Capítulos do Tao Te Ching foi realizada por Wu Jyh Cherng,
do chinês para o português
e foi primeiramente publicada pela Editora Ursa Maior
e hoje é publicada pela Editora Mauad, São Paulo.

Na Editora Mauad, São Paulo, Brasil,
encontra-se  a realização da publicação
das interpretações de Wu Jyh Cherng
acerca os 81 Capítulos da obra máxima de Lao Tse, o Tao Te Ching

Capítulo 16

Alcançando o extremo vazio e permanecendo na quietude da extrema quietude
Os dez mil seres se manifestam simultaneamente
E, através disso, contemplamos o seu retorno

Apesar da diversidade dos seres
Cada um deles pode retornar a sua raiz
O regresso à raiz se chama quietude
Quietude se chama retornar a viver
Retornar a viver se chama constância
Conhecer a constância se chama iluminação
Desconhecer a constância é a impropriedade que provoca o infortúnio

Quem conhece a constância é abrangente
Quem é abrangente pode ser coletivo
O coletivo tem o poder da criação
A criação tem o poder do céu
O céu tem o poder do Caminho
O Caminho tem o poder do eterno

Assim,
Mesmo perdendo o corpo, não irá perecer


Interpretação

Janine Milward


Alcançando o extremo vazio e permanecendo na quietude da extrema quietude,

Neste Capítulo, Lao Tse nos fala sobre a Meditação. O extremo vazio é alcançado através da meditação. A meditação é permanecer na quietude da extrema quietude.

Os dez mil seres se manifestam simultaneamente

O extremo vazio é o lugar do revirão do céu e da terra, aonde o Mundo da Não-Manifestação e o Mundo da Manifestação se encontram e se desencontram.

No Mundo da Manifestação, existe a coletividade dentro da unidade. No Mundo da Não-Manifestação existe apenas a unidade, o Absoluto.

Assim, quando Lao Tse menciona os dez mil seres, ele está falando da Criação sob o Tao, o Caminho. Dentro da Criação, existe a coletividade, a multiplicidade a partir do Uno Primordial.
No entanto, ao alcançar o extremo vazio e permanecendo na quietude da extrema quietude, a coletividade, a multiplicidade torna-se unidade... portanto, manifestando-se simultaneamente.
E, através disso, contemplamos o seu retorno.

Quando, através da meditação em sua plenitude de êxtase, o homem encontra o revirão entre os Mundos da Manifestação e Não-Manifestação – o Vazio – ele retorna. Ao retornar, esse homem já é o Homem Sagrado. Retornar significa ‘encontrar sua raiz’, fusionar com o Uno Primordial, o Tao – o retorno à Fonte Primordial.

Apesar da diversidade dos seres
Cada um deles pode retornar à sua raiz.

A verdade é que toda a Criação, em sua diversidade dos seres, em algum momento de seu ciclo de existência, sempre encontra o revirão entre os Mundos da Manifestação e Não-Manifestação, o retorno à raiz.

O regresso à raiz se chama quietude
Quietude se chama retornar a viver
Retornar a viver se chama constância

A fusão com o Tao – o regresso à raiz, à fonte primordial – é fundamentalmente encontrado através da quietude alcançada pela meditação. A partir do momento em que a meditação ‘prende’ o homem em sua prática espiritual (esse momento pode também ser chamado de Fixação: a fusão do Espírito com a Alma), inicia-se uma nova vida, a verdadeira vida... por isso, Lao Tse nos diz: Quietude se chama retornar a viver.

Esta nova vida, esse ‘retornar a viver’ é devido ao fato de que, neste momento, o homem passa a ser Homem Sagrado. E por que? Lao Tse continua nos respondendo ao dizer: Retornar a viver se chama constância.

A constância é a Virtude do Tao. Apenas o Tao é constante, todo o resto é duradouro, ou seja, nasce, vive, morre, nasce, vive, morre, nasce, vive, morre – dentro do Mundo da Manifestação.

O Mundo da Não-Manifestação, porém, faz parte da constância do Tao. Assim, ao deparar com o revirão entre os Mundos da Manifestação e Não-Manifestação, o homem (em sua característica de nascer, viver e morrer) torna-se Homem Sagrado (em sua constância adquirida junto ao Tao).

Reafirmando essa verdade, Lao Tse nos alerta:

Conhecer a constância se chama iluminação
Desconhecer a constância é a impropriedade que provoca o infortúnio

Ao tornarmos Homem Sagrado, conhecemos a Iluminação – a constância da Luz. Enquanto existimos como homens apenas, desconhecemos a iluminação – a constância da Luz.

Quem conhece a constância é abrangente

O Homem Sagrado, ao conhecer a constância, ao se iluminar, torna-se amplamente abrangente – por ter se fusionado com o Tao. Então, a partir desta abrangência, abrem-se outras virtudes, todas relacionadas ao Tao e ao Mundo da Não-Manifestação realizados dentro do Mundo da Manifestação:

Quem é abrangente pode ser coletivo
O coletivo tem o poder da criação
A criação tem o poder do céu
O céu tem o poder do Caminho
O Caminho tem o poder do eterno.

O Uno Primordial traz em si toda a Criação – que é coletiva em sua diversidade de seres. Dentro da criação, existe a multiplicação dessa própria criação. Sendo a criação uma manifestação espelhar do Tao da Criação, essa criação mesma tem o poder do céu – de onde toda a criação tem seu berço. O céu, por sua vez, ao ser uma manifestação espelhar do Tao da Criação, tem o poder do Tao, O Caminho.

O Tao, O Caminho, sendo a própria constância, tem o poder do eterno.

Em outro Capítulo, o Capítulo 25, Lao Tse nos reforça esse conceito através dos versos:

O homem se orienta pela terra
A terra se orienta pelo céu
O céu se orienta pelo Caminho, o Tao
O Caminho, o Tao, se orienta por sua própria natureza.

Lao Tse, finaliza então, o Capítulo 16, nos revelando nossa verdadeira natureza – que pode ser alcançada a partir do homem se tornar Homem Sagrado em sua Iluminação, aprontando-se para, então, trilhar seu caminho da Imortalidade ou Liberação:

Assim, mesmo perdendo o corpo, não irá perecer

Ao fusionar-se com o Tao, o Homem Sagrado atinge sua Iluminação, a constância da Luz, em sua mente expandida em consciência iluminada e infinita. No entanto, também seu corpo físico deve se tornar um Corpo de Luz, trazendo-lhe vida iluminada e infinita – a Imortalidade ou Liberação.

A transmutação do corpo físico em Corpo de Luz realiza-se através da Alquimia do Caldeirão. O Caldeirão é o corpo físico que é trabalhado pelo Homem Sagrado com mente iluminada. A mente iluminada vai doando sua Luz de constância do Mundo da Não-Manifestação ao corpo físico do Mundo da Manifestação (corpo esse que nasce, vive e morre, preso à Roda da Vida, das Encarnações).

Quando todo esse trabalho é terminado, o Homem Sagrado possui não apenas consciência iluminada e infinita como também vida iluminada e infinita. Acredita-se que o Corpo de Luz não realmente morra, e sim, ascenda aos céus.

Por isso, Lao Tse nos diz que o Homem Sagrado mesmo perdendo o corpo, não irá perecer. Ou seja, perde seu corpo físico, sim, porém não sua vida.

Desta forma, consciência iluminada e infinita e vida iluminada e infinita fusionam-se plenamente à constância do Tao da Criação.

Esses são os Caminhos da Iluminação e da Imortalidade ou Liberação.

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TAO TE CHING
O Livro do Caminho e da Virtude
Lao Tse, o Mestre do Tao

Capítulo 16

Interpretação de Janine Milward

A tradução dos Capítulos do Tao Te Ching foi realizada por Wu Jyh Cherng,
do chinês para o português
e foi primeiramente publicada pela Editora Ursa Maior
e hoje é publicada pela Editora Mauad, São Paulo.

Na Editora Mauad, São Paulo, Brasil,
encontra-se  a realização da publicação
das interpretações de Wu Jyh Cherng
acerca os 81 Capítulos da obra máxima de Lao Tse, o Tao Te Ching